Quinta-feira, 2 de Julho de 2009
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A educação de adultos - No princípio era a curiosidade

Elisabete Pinheiro de Oliveira
Professora - Organizadora Local da Anefa

 

 

Bibliografia:

 

Elisabete Pinheiro de Oliveira; Jornal "a Página" , ano 9, nº 97, Dezembro 2000, p. 8.

A educação de adultos (ensino recorrente) surge como uma curiosidade.
Curiosidade essa que se tornou numa realidade concreta com situações para ultrapassar, resolver e alcançar.
Na educação de adultos - 1º ciclo, encontramos um público alvo muito heterogéneo. Alunos numa faixa etária muito jovem (17/30 anos); numa faixa etária mais adulta (35/50 anos); numa etária mais avançada (60/80 anos).
Todos estes alunos têm objectivos diferentes: recomeçar os estudos que abandonaram (voluntária ou involuntariamente); obter mais formação académica para melhorarem a situação profissional ou para poderem assinar contratos (escolaridade obrigatória em evidência); para relembrar o que aprenderam quando eram mais novos ou para actualizarem os conhecimentos e em consequência consolidá-los. Em média, nas listas dos formandos é notória a presença feminina, talvez porque existiu a chamada desigualdade de direitos, em que o homem tinha o previlégio de estudar e direito a uma formação para poder sustentar a família.
O material escolar é fornecido pelas orientações concelhias, quando têm verbas para tal, os espaços são muitas vezes "negociados" com as juntas de freguesias, câmaras municipais e centros sociais. O material pedagógico é um obstáculo que encontramos todos os dias, porque os formandos, para além de terem faixas etárias diferentes, têm níveis de aprendizagem diferentes que é obrigatório respeitar para que não se sintam desintegrados do grupo. Assim, temos que recorrer à nossa imaginação juntamente com a noção de que é necessário articular o ensino com a realidade prática do dia-a-dia.
Na sala de aulas o ambiente é fabuloso porque é importante ser-se sensível e atencioso para captar a essência de cada aluno, as suas dificuldades, o modo mais viável para eles compreenderem e assimilarem os conteúdos programáticos.
Apesar dos obstáculos materiais e por vezes, familiares e sociais, os alunos conseguem a formação académica adequada aos seus objectivos mais específicos. No entanto, os alunos activos, quando são confrontados com o mercado de trabalho, têm uma realidade amarga. Não têm formação profissional, nem prática no mercado de trabalho e isso faz com sejam "encostados".
É com base em estudos efectuados no campo da formação profissional que surge a Agência Nacional de Educação e Formação de Adultos - Anefa.
A Anefa tem como objectivo promover cursos de formação e educação, o público alvo são os adultos activos com mais de 18 anos, para isso assume um conjunto de atribuições, de que se destacam:

- Promover a articulação entre entidades públicas e privadas, a nível central, regional e local, no âmbito do desenvolvimento da política de educação e formação de adultos, designadamente através da formalização de parcerias territoriais;
- Motivar, informar e aconselhar as pessoas adultas para a importância e necessidade de aprendizagem ao longo da vida, bem como para as iniciativas e oportunidades que se lhes oferecem nesta área;
- Construir um sistema de reconhecimento e validação das aprendizagens, formais, não formais e informais dos adultos, visando a certificação escolar e profissional. (Artº 4º do Decreto-Lei nº 387/99).
Para concretização dos objectivos, a nível local, a Anefa recorre aos organizadores locais de educação e formação de adultos que promovem, dinamizam e apoiam todas as iniciativas inerentes aos cursos, boas práticas de educação e formação de adultos e parcerias entre entidades públicas, privadas ou cooperativas.
Aqui, o trabalho no terreno é extremamente importante porque a divulgação da informação é um passo essencial para a concretização e mediação das parcerias, constituição do conselho local de Educação e Formação de Adultos, processo de reconhecimento e de validação de competências adquiridas (RVC), candidaturas e, posteriormente, para o acompanhamento dos cursos. Cursos esses que podem ser de Educação e Formação de Adultos (cursos EFA); acções Saber + (cursos de curta duração) e cursos de qualificação profissional. Todos os cursos têm uma tipologia própria e adequada ao público alvo a que se destinam.
Considerando que a abordagem pelas competências na Anefa, proposta pelo referencial de competências-chave, tem implicações no desenho e desenvolvimento de curr’culos de educação e formação de adultos, obrigando a uma ruptura com as tradicionais concepções curriculares, é conhecida a inexistência de materiais didática-pedagógicos que suportem ou apoiem o desenvolvimento curricular referido a esse tipo de abordagem. A Anefa, aceitando a proposta da unidade regional do Norte, destacou uma equipa para desenvolver esse trabalho.
Devido a haver informações mais pormenorizadas, todas as organizações locais de educação e formação de adultos estão preparadas para as divulgar a todos os níveis.



publicado por Susana Francisco às 18:58
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